A taxa de variação média anual do Índice de Preços no Consumidor (IPC) registada em 2022 foi de 7,8%, e está a refletir-se num contínuo ajuste dos preços a jusante da cadeia de abastecimento, neste início do ano de 2023.
O IPC é o indicador utilizado em Portugal para medir a variação média dos preços de um cabaz de bens e serviços representativo daquelas que são as despesas dos consumidores residentes em Portugal.
A forma mais direta de diminuir os efeitos diretos da inflação nas empresas é aumentar os preços. Porém, muitas empresas que se encontram a ajustar os preços poderão estar a fazê-lo de forma inadequada. Algumas empresas aumentaram os preços sem quaisquer critérios, e outras acrescem aos preços já praticados a percentagem média registada ao longo do último ano. No primeiro caso, trata-se de um tiro no escuro, e recomendo vivamente que analise mensalmente os seus efeitos nas suas demonstrações financeiras. No último caso, aumentar 7,8% poderá ser pouco para a sua empresa, e a inflação continuará a ter efeitos negativos nos seus resultados, ou poderá ser demasiado e a sua empresa poderá perder vendas e clientes pelo facto dos clientes não lhe reconhecerem uma proposta de valor que corresponda este aumento pago por eles, devido à sensibilidade que os mesmo têm ao preço.
Explicando de uma forma mais simples, imagine que este cabaz, que é aferido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal (BdP), seria constituído apenas por pão e queijo. E, que, 30% da despesa seria representada pelo pão e 70% representado pelo queijo. Suponhamos que, em 2022, o preço do pão teria aumentado 23,67% e o preço do queijo 1%. A inflação registada seria a mesma que foi realmente registada em 2022, em Portugal, de 7,8%.
Caso o pão representasse 90% das suas mercadorias, aumentaria os preços em apenas 7,8%?
Pois, provavelmente, é desta forma que a grande maioria das empresas está a precificar. Por outro lado, quem apenas adquire queijo ao aplicar acréscimos de 7,8% poderá estar a perder a sua quota de mercado, no caso dos clientes não percecionarem diferenciação entre os seus produtos e os produtos concorrentes.
Como é claro, estes cálculos não devem ser efetuados desta forma leviana, pois, existem aumentos não apenas nas matérias-primas e mercadorias, mas, também, nos Fornecimentos de Serviços Externos (FSEs) e nas remunerações do pessoal, para além de outras variáveis e condicionantes que o mercado vai apresentando.
Se fizer estas análises de uma forma cuidada e com alguma regularidade, poderá resultar em ganhos sob vantagens competitivas, num maior volume de vendas ou simplesmente evitará que a inflação absorva os resultados da sua empresa. De outra forma, não espere os mesmos resultados.
Votos dos maiores sucessos empresariais!
Ricardo Rocha
Consultor de Negócios SimplifyPRO