Orçamento familiar
“Quero ser rico”
A procura pela riqueza nunca esteve tanto na moda em Portugal. Observa-se uma tendência nas novas gerações pela procura de ser rico. Mas o que é ser rico? Já tentou definir este conceito? Se procurar, provavelmente encontrará muitas definições sobre o que e ser rico. O conceito que mais me faz sentido, neste momento, é que o nível de riqueza mede-se pela quantidade de dias que consegue manter a sua qualidade de vida e a da sua
família, e no limite, a sobrevivência, sem obter mais rendimentos.
A sobrevivência da sua riqueza está limitada por dois fatores:
1. Pelo património líquido acumulado, e;
2. Pelo consumo necessário para a preservação da sua qualidade de vida e
sobrevivência.
O que posso fazer para aumentar os meus rendimentos?
Para aumentar os seus rendimentos e prolongar, por esta via, a sua sobrevivência e da sua
família, pode fazê-lo de três formas básicas:
1. Aplicar mais horas disponíveis no trabalho, diminuindo o tempo para lazer e para
a família;
2. Aumentar a sua eficiência, pela via do conhecimento e da tecnologia;
3. Pela conjugação das duas anteriores.
Contudo, não basta aumentar os seus rendimentos. Para isso, tem de acumular património poupando e investindo, sem aumentar a sua qualidade de vida, ou seja, sem consumir mais do que consumia antes de aumentar os seus rendimentos.
“Chapa ganha, chapa gasta”
A outra via pela qual poderá aumentar a sua riqueza é pela poupança. Tendemos a adequar o nosso nível de vida aos nossos rendimentos, e se não tivermos a disciplina necessária não servirá de muito ganhar mais. Casa vez mais me aproximo da certeza de que ser rico não está nos seus rendimentos, está na sua mentalidade e espírito.
Como posso evitar gastar, se já gasto o mínimo possível?
Os gastos estão diretamente correlacionados com o consumo. Para responder a esta questão vá ao extrato dos últimos 6 meses e risque todos os gastos que, de uma forma sincera, considera supérfluo. Isto é, se o seu rendimento familiar diminuísse 30% que despesas cortaria?
De seguida, projete o seu orçamento familiar, contemplando os momentos de lazer e a
poupança.
“Pague-se primeiro a si mesmo”
Sempre que receber, separe de imediato uma percentagem para a sua poupança. Esta percentagem é subjetiva, porém anda na ordem dos 10 a 20%.
O começar será difícil. E, assim sendo, segue-se algumas dicas. Comece por ajustar as suas despesas fixas a um máximo de 50% (ou 60%) do seu
rendimento mensal familiar.
Por exemplo: |
---|
Rendimento familiar = €2 000 |
Limite das despesas fixas = €2 000 x 0,5 = €1 000 |
Neste caso, terá de adequar as suas despesas fixas ao tecto máximo de €1 000 para |
despesas fixas, tais como: |
• Habitação |
• Eletricidade |
• Gás |
• TV e internet |
• Ginásio |
• Combustível |
• Etc. |
O valor remanescente servirá para despesas variáveis, tais como:
• Jantar fora;
• Comprar vestuário e calçado;
• Fazer uma viagem;
• Etc.
Tenha cuidado com o “bicho papão” da inflação
A sua poupança parada será consumida aos poucos pela inflação. Para fazer face a este “bicho papão”, aplique as suas poupanças em investimentos que lhe garantam uma iquidez a curto prazo, assim como um retorno de preferência acima da taxa de inflação.
Qual o valor mínimo que tenho de ter na poupança
Não há uma resposta certa para esta pergunta. Contudo, penso que já conseguirá um certo nível de conforto com a quantia de 6 meses do rendimento mensal familiar.
Qual é o valor máximo?
Não existe um valor máximo para a sua poupança. Contudo, deverá considerar se o retorno do seu capital é suficientemente interessante. Poderá aplicar, por exemplo, a poupança de 1 ano num investimento de baixo risco e o remanescente numa carteira de ativos que lhe tragam um retorno mais interessante. Para isto, recomendo-lhe que estude um pouco sobre o efeito de “juros compostos”.
Ok, e agora?
Não limite o seu conhecimento a este artigo. Leia outros artigos, livros e frequente as nossas formações de orçamento familiar e aprenda a fazer na prática o seu orçamento familiar: https://forms.gle/AdARKx2A8vuKQAGdA.
Ricardo A. Lopes da Rocha